domingo, 15 de novembro de 2009

Wilderness


Ainda não tenho uma tradução para a palavra que dá título a essa postagem, infelizmente. Mas ela é poderosa. Wilderness é algo que está intrincado na medula do imaginário mítico norte-americano. Certamente uma palavra derivada de wild. Define lugares selvagens, preferencialmente intocados pelo homem, onde apenas as coisas de ordem natural reinam. Lá não existem estradas, redes elétricas, tubulações, infraestrutura alguma. São áreas que atualmente podem ser encontradas preservadas em parques nacionais e reservas, nos mais variados países, sendo consideradas importantes para a conservação da diversidade da fauna e flora e estudos sobre meio ambiente.
Mas não é apenas isso. Wilderness é algo extremamente relacionado com a preservação do espírito humano, da criatividade, da moral e da cultura. Isso é o que está presente na obra de diversos autores naturalistas. E eu devo admitir, concordo com eles.
Nesses ermos selvagens profundos eu encontro uma conexão com a vida, com a terra e com o meu interior tão grande quanto eu só encontrei no ventre de minha mãe. No silêncio, cercado pelo horizonte, seja ele composto de montanhas, florestas ou planícies, meus pensamentos e minha alma não tem para onde fugir. Não há nada para perturbar meu espírito que não eu mesmo e minhas necessidades. Só ouvirei os ecos vindos de dentro de mim, estabelecendo assim o diálogo mais verdadeiro de minha vida sem ser ouvido por ninguém - talvez pelas árvores, talvez pelas rochas.
Lembro-me do fascínio que me atingiu na primeira vez que ouvi essa palavra. Foi numa aula de América III. Rememorando agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, lembro-me que meus ossos congelaram e senti um frio intenso no peito. Descobri o nome daquilo que tanto me impressionava.
É uma constante na minha vida, certamente. Sempre procurarei por isso em meus escritos, em meus poemas, minhas viagens, minha respiração.
Deixo para meus leitores agora um poema de Lord Byron com o qual eu muito me identifico e que acredito expressar bem toda a mística dessa palavra.

Há nas matas cerradas um prazer,
Há nas encostas solitárias um arrebatamento,
Há uma sociedade, onde ninguém pode intrometer,
Pelo mar profundo, e música em seu lamento:
Eu não amo menos ao Homem, mas à Natureza mais,
Dessas nossas entrevistas, nas quais capturo,
De tudo que eu possa ser, ou tenha sido tempos atrás,
Para me misturar ao Universo, e sentir puro,
O que nunca posso expressar, ainda que não possa esconder.

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