domingo, 1 de novembro de 2009

Rio de Janeiro no Tempo


Estava fazendo uma leitura relativa à minha vida acadêmica, deitado na cama, bem relaxado. Lia o livro do Malerba, "A Corte no Exílio", e me espantei com a permanência de certas características da cidade. Problemas semelhantes, soluções semelhantes. Pelo menos para mim, observador dos dois mil. A cidade da Guanabara do início do século XIX é descrita como um lugar contraditório e caótico. Se por um lado temos uma cidade que tenta se europeizar à todo o custa, graças à presença da família real portuguesa, também temos uma cidade cheia de pretos e mestiços, vivendo ao seu modo, com suas capoeiragens, correrias, danças e músicas. Aos viajantes tudo era extremamente exótico. Gente de várias cores distribuída pelas ruas barulhentas. Brigas de capoeira, arruaças, lixo pela rua, gritarias, confusões, polícia correndo de um lado para o outro. Nas águas da baía, velas brancas desfraldadas enfeitavam o horizonte. No fundo da cena, uma belíssima cordilheira de montanhas. E as contradições reinando lá embaixo, entre as ruas da cidade maravilhosa. Caos e Ordem.
Me pareceu tudo muito familiar - guardadas as devidas peculiaridades e proporções. Hoje em dia vivemos num Rio de Janeiro que se mostra repleto de faustos, cidade da Copa, das Olimpiadas! Suas praias exalam beleza e calor, suas ruas pulsam na vida noturna e em tuas galerias corre a arte e a cultura. O mundo todo te olha como umbigo cultural latino-americano. No entanto, ainda moram em tuas ruas miseráveis, crianças sem lar. Ainda há lixo, bagunças e correrias, com a guarda municipal a correr atrás de pivetes e camelôs. É o choque de ordem. Teu povo ainda se vê refém do medo, não mais como no século XVIII, ameaçado pelas invasões francesas - e olha ai 2009, o ano da França no Brasil - mas sim da violência que ronda em tuas ruas. A tua baía, antes clara e povoada de golfinhos, hoje é escura, suja.
No entanto, não adianta, a tua vista ainda espanta os olhos dos viajantes, transeuntes e qualquer um que pare para te admirar!

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