segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Sul

Está aí um assunto que nunca abordei neste blogue. Algo que os que vivem comigo, no cotidiano, se não entendem, pelo menos reconhecem o que estou falando. No entanto, acho que é escrevendo que eu vou dar uma explicação melhor para a minha fixação pelo que é austral.
Ah, sim, este ponto cardeal...Ele está nos meus objetos de estudo - se não diretamente, pelo menos tangenciando - nas minhas vibrações, no meu time de futebol, na minha poesia, nos meus delírios, no meu sangue. Algumas vezes ele é um estado de espírito, no qual me encontro, perdido dentro dos meus pensamentos, indo para muito longe do corre-corre dos ônibus, das filas do almoço e da burocracia da biblioteca da minha universidade. Vou para a beira de fogueiras, lagoas, névoas, boa gente e dignidade, sorrisos, cheiro de mate e maresia platina pelos ares. Então eu derreto em alegria.
Outras vezes é um claro posicionamento frente às contingências do mundo. É quando me revoltou e me nego a ceder - mesmo falhando nisso muitas vezes - aos maus-hábitos que essa nossa querida metrópole-maravilhosa gerou: falta de educação, de gentileza, de boa vontade, falta de respeito ao próximo, ódio desmedido, desumanização. Questiono as referências que temos para o certo e o errado, o que é o senso comum, o que dever ser feito. Eu repenso as questões e vejo que não preciso encontrar um Norte. Foi atrás de um norte que tudo acabou desse jeito tresloucado que o mundo anda. Eu quero é achar um Sul para mim.

2 comentários:

Mateus disse...

Nossa! Esse texto é realmente a sua kra!
O final é fantástico!

Abração, grande

BOZAO disse...

"É quando me revoltou e me nego a ceder - mesmo falhando nisso muitas vezes - aos maus-hábitos que essa nossa querida metrópole-maravilhosa gerou: falta de educação, de gentileza, de boa vontade, falta de respeito ao próximo, ódio desmedido, desumanização.Questiono as referências que temos para o certo e o errado, o que é o senso comum, o que dever ser feito."
É cara, mesmo que não esteja explícito ao mundo parece que temos muito em comum.