quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descobrimento

Atirei uma flecha em direção à casa do Sol.
Corri nos escuros caminhos das florestas.
Desci as trilhas profundas dos vales sem luz.
Meu corpo fez-se uno com a terra,
minha pele tornou-se uma casca
das mais ancestrais árvores,
meu coração bateu uma vez por século
calado, fixo em mim.

Cresceram pequenas plantas,
animais fugidios passaram ao redor
e a chuva perfumou meu tronco.
Em meus ouvidos apenas chegavam
os sons longinquos
de pedras existindo, os morros enevoando,
a morte esperando paciente e benévola
a queda de cada um
e a vida amando e crescendo.

Nesse silêncio harmônico vivi,
imerso na memória fluída.

Então, com o cair da tarde mais pesada,
explodi dentro de mim mesmo.
A madeira incinerou-se e partiu,
e eu nasci um titã de cobre.
Irrompi pelos céus,
corri pelo relâmpago azul.
Morei nas montanhas
de cumes verdes
onde eu sou rei de mim mesmo.

3 comentários:

Centro de Etno conhecimento Sócio Cultural e Ambiental CAUIERÉ disse...

hmm

Duda Falcão disse...

Legal. A transformação da natureza, a metáfora da própria vida. Poesia nos dá margem a muitas interpretações, isso a torna algo fantástico. Um grande abraço!

Mateus disse...

Que poema lindo, kra! Parece o Descobrimento da ilha por vezes habitada do que somos, diria o mestre na Ibéria...