quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sensação de Liberdade


Isto não é só uma postagem perdida no meio da madrugada. É uma tardia descrição de uma onomatopéia. Os últimos tempos - e aqui usarei novamente uma construção linguística feita por este que vos escreve há muitas postagens atrás, que deixa "tempos" em aberto para que todos sintam-se tocados - tem tido o privilégio de receberem a etiqueta de época de rompimento. De limites, especificamente. As linhas, traçados, demarcações e fronteiras lentamente perdem sua característica tradicionalmente rígida e, como se fossem fumaça, adquirem um aspecto mais maleável, ou pelo menos mais compreenssível. O que antes era encarado como limite agora é visto como impulso de liberdade. Liberdade que se desgarra do chão numa corrida cheia de vida e voa como um condor, para distâncias incalculáveis, para além de estradas e morros, serras e fronteiras. Voa para uma paisagem distante da minha razão e daquilo que eu tinha por certo.
Finalmente, depois do aperto, as coisas fazem mais sentido. Agora as algemas invisíveis, cadeias singulares que prendiam-me ao chão que eu sempre pisei, desfizeram-se.
É muito plausível que se pergunte a causa dessa quebra. Eu sinceramente gostaria de saber falar sobre isso, ainda que talvez falasse apenas para mim, no silêncio da noite, e nunca compartilhasse isso aqui. Mas a realidade é que eu não sei nem nomear tais acontecimentos. As palavras aqui mostram-se inúteis na transmissão de uma mensagem que apenas se entende vivendo-a. Ninguém compreende, só quem vive.
E aconselho a quem puder que viva isso. Desprenda-se. Que seja possível um dia sentir que há uma casca quebrando-se à sua volta, grilhões sendo partidos, portões sendo destrancados, limites se desfazendo por todos os lados e que finalmente, num momento únicos em sua vida, vislumbre o céu azul e um campo limpo, livre e infindável que extende-se diante da vista. E que o único obstáculo que se erga frente a essa pessoa seja o cansaço que irá tomar suas pernas na longa corrida que o levará rumo ao horizonte.

2 comentários:

Renata Machado Seti disse...

Interessante Moço.

O retorno a liberdade é o sonho daquele que um dia foi capturado em seu estado primitivus et ingennus, onde veritas habitat in interiore homine e a vida flui como uma forte chama na consciência, que se auto descobre na catarse.


Abraços

Renata

Luiz Pedro disse...

belas palavras, meu querido!