domingo, 9 de agosto de 2009

Correr menos e viver mais.

Atualmente somos instruídos, desde bem pequenos, a não viver e sim guerrear. Não podemos tirar notas baixas, não podemos ficar satisfeitos com o segundo lugar no pódio, que dirá sermos solidários e gentis no trânsito. Precisamos chegar sempre no topo de tudo que a sociedade nos mostra como grandioso. Criaram uma coisa chamada sucesso. Até na hora de flertarmos com aquela pessoa interessante caímos nesse emaranhado de disputas.
Isso é normal? Faz parte de nós? O ser humano, assim como todos os outros viventes, está sob a lei da selva? Aliás, existe lei da selva ou isso é só mais uma invenção dessa filosofia da competição que está em nosso imaginário?
Eu não posso afirmar nada, até porque minha análise foi um tanto simplista. Podem - e devem certamente - haver pessoas que não se encaixam nisso, seja porque já viveram demais e cansaram-se da correria da vida, seja porque estão ainda mergulhados nos inocentes e ingênuos anos da infância ou, na mais estranha das hipóteses, porque são pessoas bem parecidas conosco, mas que no entanto refocilam na infeliz ignorância (ou experimentada sapiência) de não dar a mínima para nada disso. Simplesmente não se preocupam. Encontram a paz de todos os seus dias no café com leite e nas torradas com manteiga derretida que tomam pela manhã, com a maior calma e tranquilidade.
Espero que algum dia eu encontre uma dessas pessoas e que ela possa dizer para mim, de maneira segura, como que confirmando meus pensamentos, que não há motivo para levar uma vida cheia de atribulações, de correrias, cafés à meia noite, dores de cabeça, competição desmedida, ódio, egoísmo. Competir menos e viver mais. Tomar consciência de que, mais importante que qualquer coisa é entregar-se aquilo que é essencialmente ligado à vida.

3 comentários:

Rafael Zacca disse...

E numa sociedade onde reina a selvageria e o instinto predatório, vivemos também amedrontados. Temos medo das ruas, das pessoas, das sensações, do amor, do amor dos outros com os outros, temos medo e fazemos grandes congressos do medo para homens medrosos.
O importante é lembrar que a natureza é crua e amoral, e nós nos tornamos imorais, não estamos seguindo nenhuma lei "natural" (e nem que fosse seria o necessário, pois enquanto seres humanos somos seres capazes de [re]inventar a vida), e aquele que permanece homem é denominado utópico, sonhador e ingênuo, quando, acredito, é este que chega mais perto do que se pode chamar "Vida", ou coisa do tipo, dependendo das suas concepções e como você nomeia certas coisas. Aqueles preocupados com as outras coisas que não a Vida, são pessoas "ocupadas em nascer e morrer".
Só queria compartilhar algo, depois de ler. (Comecei a ler hoje, o seu blog).

Um abraço,
Zacca.

Luiz Pedro disse...

parabens, mulek!
muita sensibilidade....
agora, o que fazer com essas duas facetas né?
Ao mesmo tempo queremos viver, mas ao mesmo tempo demandamos dentro de nós pela selvageria....
Acho que você colocou bem o conflito, e como cada um tem seu estilo ao lhe dar com ele...
Obs. ta ficando muito filosofo o senhor!!!

Flavia Vianna disse...

Tá, você colocou o link do blog no MSN, não resisti, li e vim comentar.

Primeiro, você definiu algo que pretendo tomar como filosofia de vida: a não competição. Não significa que deixaremos de lutar por alguma coisa, mas que não entraremos nesse ritmo maluco que tentam nos impor. Ora. tudo tem seu tempo.

Segundo, minha mãe está certíssima quando diz que preocupação envelhece.

Parabéns pelo blog!