domingo, 3 de maio de 2009

A medida da aflição está incapacidade de saber.


Queria dizer algo sobre minha insatisfação. Estou desapontado comigo mesmo, pela minha falta de capacidade de expressar algumas coisas. Coisas que me trazem um crônico tormento interior; nada que me faça entrar em pânico declarado ou surtar. É só algo que corta por dentro, muito por dentro e que o faz de maneira silenciosa. A sutileza é tanta que eu não encontro palavras, expressões ou mesmo fôlego para poder expressá-la.
Há um reflexo disforme na janela do meu quarto. Tem um matiz de cores diversas, todas muito frias, a não ser um vermelho-sangue, que escorre lentamente, como se quisesse tomar conta da parede e finalmente chegar ao chão, onde tomaria conta de meu espaço. O reflexo na janela não passa de uma resposta da minha mente para uma confusão gerada pela incapacidade de comover, envolver e revolver a mente alheia. Sinto-me ridículo e sem ação, de certo modo angustiado, como uma pessoa que vai perdendo tudo o que possui aos poucos.
Quando falo aos outros, sinto-me um estrangeiro. Parecem não entender as minhas palavras, lançadas ao ar e ridículamente ignoradas, como uma garoa fina que cai dos céus. Quando falo sobre os assuntos importantes do mundo, sobre as questões profundas e alerto sobre a futilidade das coisas, o retorno que tenho é a completa negação destas idéias e reflexões e inversão de todas as palavras, que se viram para mim como facas misteriosamente voltadas contra o seu lançador.
E tudo isso me angustia, pois sei que não é por mal que eu venho a saber isso. Essas respostas chegam dos outros até mim de uma maneira tão ingênua e fragmentada que eu não consigo enxergar crueldade e maquiavelismo nenhum. É tudo tão involuntário.
Depois de receber essas expressões externas, me pergunto se na verdade não sou eu o perdido, sozinho na escuridão metálica do mundo.
Eu não sou ninguém. Eu não sei de nada muito importante.
Minha marca no mundo resume-se a um rabisco impotente feito numa grande tela, onde posam obras de arte magníficas e inovadoras. Meu desejo no mundo nada mais é do que uma pequena paixão ou vontade de suprir uma necessidade natural humana, como a sede.
Tenho certeza que atualmente, é tão fácil iluminar minha escuridão que para isso, basta um riscar de fósforos. Mas infelizmente, eu estou de mãos vazias.

Um comentário:

Danielle disse...

É incrível como as pessoas às vezes pensam as mesmas coisas e expressam de maneira tão diferente. A vontade q dá é de juntar cada forma e ver q, ao final, deu certo: aquilo realmente foi tudo aquilo q vc desejava dizer. Vc não está sozinho. Se estiver de mão vazias, estamos os dois, pelo menos. Vi muita semelhança desta sua reflexão para minha, ainda q tenham sido expostas de maneiras e palavras diferentes. Estamos aí, perdidos no mundo...chocados com a involuntariedade das expressões. Tão ridículas, tão normais.
Bjo!