terça-feira, 3 de março de 2009

Do ofício de escritor.


Hoje deitei dedos no teclado deste computador portátil. Trabalho em cima de um conto a ser entregue em meados de abril, para uma antologia de literatura fantástica. Neste escrevinhar que já se prolonga por cerca de dois dias, consegui produzir uma grande quantidade de textos, e quanto à qualidade, pelo menos, para mim, o mais inadequado dos críticos, está de razoável nível. Estou sinceramente impressionado por não ter se abatido sobre minha mente aquela já conhecida doença de todos os que aspiram a escritores mirins: a falta de criatividade. Salvo alguns momentos tirados para relaxar com um copo d'água ou uma boa baforada de cachimbo, não houve nenhum branco em minha imaginação que me impedisse seriamente de prosseguir com a criação do pretendido conto.
O oficio do escritor é das coisas mais árduas que existem. Há, para quem deseja o caminho de letras, alguns muros a serem transpostos. O primeiro deles é o da vontade. Para escrever é preciso muito desta, pois de começo não se sabe o trabalho que é redigir um texto agradável de ler e que ao memo tempo dê asas a sua imaginação. Muitos travam frente ao desafio de escrever uma página, agora imaginem o que se pretendem romancistas!
O segundo desafio a se superar é o do tempo. Muitos aspirantes a escritor acreditam que os livros simplesmente brotam da ponta de suas canetas - ou do ecrã de seus computadores - e não compreendem que os textos germinam, tais quais sementes de plantas, na mente de seus autores. Ansiosos pelos louros do sucesso e do reconhecimento, não oferecem ao altar das letras o suor que é necessário para que um bom texto seja escrito. Não importa qual seja o tamanho do texto ou quanto tempo leva para que fique pronto, ele demorará, ainda que um dia!
O terceiro e não menos importante obstáculo a ser transposto é o da compreenssão do que se está fazendo. Quando pretende-se escrever por arte, não é possível almejar apenas um status. Tem que se pretender alcançar o sentido de toda a mensagem que é pretendida passar, seja ela carregada de sentimento, ideologia ou qualquer outra coisa a que normalmente as palavras estão capacitadas expressar. Este último desafio é quase místico, pois deve-se procurar alcançar uma comunhão transcedental com as palavras e com os seus significados, intento que é alcançado não de uma hora para outra, mas sim através de profundas reflexões, leituras e mesmo de sentimento ( ou seria melhor dizer epifania).
Ora, em qual desses obstáculos eu me encontro? Sinceramente, não sei. Há vezes em que me pego desafiando e enfrentando os três. Fazem parte da vida de todo aquele que ama as letras, não importa quanto tempo tenha de escritor, ele estará sempre cercado por essas três circunstâncias, oscilantes, cada uma tendo seu lugar em determinado momento.

Um comentário:

Anônimo disse...

Escrever é uma arte, escrever bem é um dom. Como tudo na vida, há falhas, mas cada titubear e a cada queda só nos fazem nos conhecer; saber reconhecer, alcançar e ultrapassar nossos limites. Não tenha medo de errar, você é bom no que faz.