segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Divagações sobre o Egoísmo III

Depois de reler a "Divagações sobre o Egoísmo II", eu sinceramente não gostei do que escrevi. Além do fato de eu ter feito uma péssima revisagem no corpo do texto, achei que ele está um tanto desconexo e não traz nada de novo. Fiquei até com medo do que fosses pensar de mim, querido leitor; que fique claro aqui que nunca subestimei a sua inteligência ao fazer uma postagem um tanto insatisfatória como a "Divagações...II".
Mas vamos acabar logo com essa baboseira de pedir desculpas por uma postagem mal feita! Isso é um blogue e não um Nobel. Pretendo com esta terceira postagem encerrar - ou não - as minhas escrevinhações sobre o egoísmo. Como disse na frase anterior, talvez no futuro toque nesse assunto novamente, mas não com a mesma precisão e profundidade pretendida nestes textos em especial. Reservarei essa postagem para uma crítica mais contundente aos egoístas e às suas atitudes; na minha humilde opinião, todas as palavras aqui terão um cunho libertador, levando embora sentimentos e pensamentos que não estão escondidos e enterrados em minha cabeça há anos, como se minha mente fosse algum baú de sabedoria, mas que aqui estão desde pouco tempo - utilizarei novamente o artifício usado na primeira postagem que fiz sobre egoísmo, não dando medidas temporais precisas para não excluir ou privar este grupo de pessoas ou aquele de sentir um pouco de peso na consciência e refletir sobre seus atos, segundo a nobreza de seu espirito.
Ah, sim, este sentimento e sua vil interação com a vida humana. Através dele destruímos coisas valiosas, cegamo-nos de toda a razão que um dia possa ter habitado nossas mentes. Subimos no alto de um grande pedestal e lá nos isolamos de críticas que possamos vir a receber. No alto do pedestal, as criticas chegam a nós com pouca força, como pedras lançadas lá de baixo, quase não tocando a base aonde se assentam nossos pés. De lá do alto, também nos sentimos mais à vontade e com maior vantagem para acertar pedras nos que estão lá em baixo. Do alto do pedestal cantamos injúrias e malicias mil, de uma maneira que todos a quem nos direcionar-mos irão ouvir-nos - o que não significa que vão aceitar, mas na nossa ignorância e egoísmo, achamos que todos são tolos o suficiente para acreditar naquilo que professamos sem pensar e pesar. Lá no alto do pedestal também somos atores, representando o papel do ultrajado, de uma espécie de vítima, de um ambicioso que a todos os limites ultrapassa sem escrúpulos e a todos os que se opõem derruba com malícia, representamos com vigor e maestria genuína o papel do egoísta. É quase uma comédia grega. No entanto, existe algo com que nós não contamos. Trata-se de uma pedra que não vem das mãos de ninguém, muito menos do chão deste mundo. É uma pedra que vem de um certo plano onde residem nossas idéias e reflexões. Lá existem fantasmas que nos assombram e algumas vezes são capazes de se comunicar de uma maneira macabra, às vezes sutil, conosco. Eles sussurram em nossos ouvidos uma auto-crítica, por vezes em linguagem enigmática, outras de maneira bem clara, trazendo o remorso como assinatura. Mas por incrível que pareça, essas assombrações não nos forçam a nada, não nos trazem nenhuma ameaça e são facilmente banidas com o mais tênue chacoalhar de cabeça. Deixam que nós mesmos reflitamos em nossos atos e se tivermos a nobreza de espirito e a sabedoria de ouvi-las, mudemos nosso comportamento.
O ser egoista, na minha opinião, depois de escrever estes três textos, termina como um estado de espirito que cabe ao ser humano superar. Não faço profundas ofensas e críticas lancinantes aos egoístas porque não sei a profundidade e a importância desta maldição para os pobres espiritos humanos. Também não despejo aqui tais palavras por saber que também tenho meus momentos de egoísmo, como todo ser humano. Talvez periodos de egoísmo sejam necessários como um degrau para que o ser humano ascenda pessoalmente, refletindo sobre seus erros e criando forças para mudar a si próprio e às suas ações. Caso tal força não seja criada por um momento no coração do individuo esse degrau não leva a ascensão pessoal alguma e sim a uma escadaria em direção ao abismo.

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