terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Divagações Sobre o Egoísmo.

Cá estou fechado em uma casa que não pára de ser castigada pela chuva. A todo momento ouço o chapinhar de meu cão - uma cadela na verdade - andando com suas patas peludas pelo pátio que circunda minha residência, nesse momento úmido como um chaco. Mas será que eu estaria sendo um tremendo egoísta ao reclamar das águas despejadas do céu quando há cabeceiras de rios para serem enchidas ou homens sedentos à procura deste líquido supostamente incolor, inodoro e insípido?
Como poderia começar a falar de egoísmo? Bem, acho que para começar deveria dizer que este estado de espírito me perseguiu em demasia nos últimos tempos - e digo tempos para que não diga dias e algumas pessoas se sintam ofendidas ou diga meses e outras pessoas se sintam igualmente ofendidas, mas digo tempos, pois dessa maneira estarei sendo justo e dando oportunidade para que os dois bandos se sintam ofendidos - seja encarnado em um ou outro indivíduo que me circunda ou, por que não, em mim mesmo. Digo também em demasia por que tenho me dedicado mais seriamente a notá-lo nos ultimos tempos, e por isso talvez a medida que seja era comum saltou aos meus olhos como absurda, só pelo fato de estar notando-a muito mais agora.
Mas também não vamos crucificar os egoístas, caro leitor. De certa forma, eles apenas fazem o que está inscrito em seu âmago, na sua mente. O fazem, provavelmente, por causa de um amor próprio fanático que os impede de racionalizar os outros à sua volta como pessoas que dependem de suas atitudes também.
Nesse momento quero fazer uma pausa no raciocínio que mal comecei nos parágrafos anteriores. E se os egoístas fossem fundamentais para o mundo? E se eles tivessem um papel fundamental em nossas vidas que nós não conseguimos entender até agora. Vou explicitar este devaneio que tive através de um exemplo que, graças a leis divinas e naturais irremediáveis que o homem ainda não conseguiu romper com a ciência, todos nós temos. São os pais. Um par composto por um homem e uma mulher que se amam e se desejam.
Dentro deste pequeno exemplo podemos encontrar miríades de atitudes egoístas que, como veremos, serão fundamentais para o futuro. Um filho que namora uma moça que não é do agrado de sua mãe, graças a uma paixão louca e desafiadora pode casar com ela e desse suposto ato de egoísmo você pode estar agora aqui, leitor, sendo portanto filho de um ato egoísta, onde o filho não pensou na mãe. Também podemos imaginar um caso que ocorra com o sexo oposto ao exemplo supracitado. E se a moça que casou com o rapaz na verdade fosse a irmã de uma outra rapariga, esta morta de amores pelo rapaz. A irmã, igualmente apaixonada, porém mais arguta e obviamente egoísta, não pensa na sua consanguínea de coração mole, que desfalece todas as noites de tantas juras de amor, vai lá e crava o coração do rapaz com um punhal de paixão carnal, fisgando-o desta maneira. Vemos que por mais uma vez o egoísmo foi elemento ativo de um processo que foi mais que importante - diria vital ou visceral - para a existência de um individuo, como você mesmo, leitor.
Prosseguindo com o raciocinio mal formulado que cortei algumas linhas acima, penso eu que o ser egoísta é uma qualidade inerente ao ser humano em algum momento de sua vida. E penso simplesmente por não aceitar que haja tal pureza de espirito caminhando pela terra.
Concluo que cabe a mim apenas ficar observando, vendo os egoísmos passarem, vez ou outra tendo capacidade de olhar o meu próprio e, já com uma varinha preparada, açoitá-lo para que não me envergonhe diante de minha própria pessoa ou de outras.

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