quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Divagações Sobre o Egoísmo II

Após uma pequena interrupção, voltarei a expor para você, leitor, algumas de minhas divagações sobre o egóismo, esse ingrediente imanente a todo ser humano, em algum momento de sua vida. Já falei na postagem anterior sobre o egoísmo e sua intrínseca ligação com o ser humano e mesmo com a sua existência. Ou seja, tratei de um egoísmo que nada mais é do que um definidor de nossa presença nesse momento nesse exato lugar.
Tratarei então do egoísmo que emana de nós, de nossos pensamentos e ações.
As primeiras manifestações de egoísmo creio que aparecem ainda na infância, naquele momento em que estamos deixando de ser o centro de atenções, seja porque já estamos crescidos o suficiente ou porque algum irmãozinho - ou qualquer outro elemento dispersor de atenção - chegou. Acredito que é quando o egoísmo se confunde com um miserável egocêntrismo. Achamos que somos o centro do universo à nossa volta porque nossa preocupação maior é com nosso bem estar. É natural que as crianças amáveis escondam já o germe desse sentimento desprezado pela maior parte da sociedade, afinal, essas crianças são crias de integrantes de tal sociedade.
O tempo passa, a criança cresce. Ela começa a diferenciar a si mesma do resto do mundo a sua volta, começa a ver que está metida numa espécie de jogo, talvez uma brincadeira muito séria, que os adultos chamam de vida social. São as mentiras em prol de interesses próprios, as intrigas escolares, os amores raptados - sim raptados, sequestrados por palavras bem postas e rostinhos tentadores. É nessa época, junto com a projeção de egoísmo para fora de nós, que começamos, inversamente, a remoer os sentimentos e ressentimentos dentro de nossos peitos.
Por fim, quando chega-se a uma juventude plena, que poderiamos chamar início da vida adulta, a manifestação do egoísmo poderia ser chamada de resíduo da infância? Alguma migalha - ou naco mesmo, no caso de muitas pessoas - daquele comportamento pueril que outrora todos nós tivemos? Repudiamos o comportamento egoísta - ou pelo deveriamos, caro leitor - pelo mal que ele presta às pessoas, por sua mesquinheza, muitas vezes por eles nos parecer estranho - bom sinal, pois significa que estamos deixando de lado aqueles resquícios de comportamento infantil.
Nós respondemos ao egoísmo com o altruísmo, que é exatamente o lado contrário da moeda. Porém, podemos perceber que o altruísmo é algo que só desenvolvemos depois de certos anos de vida, exatamente quandoe estamo na criação de uma rede de conhecidos, de relações sociais. Disso eu raciocino que o altruísmo é uma criação humana, construída por nossas mentes, e porque não por nossa cultura?
Bom, depois de tantas explanações, acabei por apenas confirmar aquela velha idéia que tinha desenvolvido na primeira postagem sobre esse tema: o egoísmo é inerente ao ser humano, em algum momento de sua vida - no caso dos espíritos mais pobres, a vida inteira.

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